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Texto enviado por:
Eduardo Reis Moura
Belo Horizonte
Assistir ao show do U2 mesmo que seja pela telinha, é um prazer. Entender um pouco a intenção do Bono é uma obrigação:
Caros amigos,
Não sei se puderam assistir dia 20/02/2006, o show realizado pelo grupo Irlandês U2, no Morumbi, transmitido pela Globo e pelo Multishow. Quisera eu estar lá, não só pelo show em si, mas pela qualidade das músicas do U2, sobretudo suas letras, que versam bem a situação da Irlanda na época do surgimentodo grupo, mas como também, da situação atual do mundo nos diversos conflitos em andamento no globo.
Mais uma vez U2 deu seu recado de paz a todos. No telão foi mostrada desde a declaração dos direitos humanos até mensagens aos povos em guerra,. Ao sair Bono, inclusive, deixou um terço pendurado ao microfone quando da finalização do show. Um espetáculo à parte, vez que essas mensagens colocadas em um telão no palco, vão de encontro preciso às letras inteligentes das músicas do U2, como Miss Sarajevo, Sunday Bloody Sunday, One, New Year's Day, Where The Streets Have No Name, etc.
Na terça feira dia 21 acordei feliz com o show. De alma limpa ...lavada. Um grupo dando uma mensagem destas aos nossos jovens é excelente. Mas minha felicidade durou pouco. Em pleno almoço, no self-service que costumo freqüentar quando não vou almoçar em casa, tive a infelicidade de ouvir dois jovens conversando:
"Você viu o show do U2 ontem?"
"Nó véi, muito massa!"
"Aquele Bono é doido de mais no palco, véi! Você viu? Ele tava usando uma faixa na cabeça com uns símbolos bem doidos!"
"Vi! Depois ele saiu andando com a faixa nos olhos..." "Só... Depois ele deixou um terço no microfone... Muito maluco..."
Foi aí
que percebi, para minha maior desilusão, que esses dois infelizes não
tinham entendido nada das mensagens que foram passadas no Show. Foi
quando minha ficha caiu que, infelizmente, hoje, a maioria dos nossos
jovens e até alguns adultos, não tem exercitado o seu raciocínio a
tempos e, desta forma, sequer possuem capacidade suficiente para
entender as mensagens de Bono e o que aquela "faixa com uns símbolos
bem doidos" queria dizer. Afinal, para uma geração que escuta
"Poderosa, rainha do Funk", "To ficando atoladinha", "Eguinha Pocotó" e
outras músicas do gênero, com letras riquíssimas que exigem um
raciocínio acima do comum, não poderiam mesmo entender uma mensagem como
a que Bono quis passar. Talvez por falta de raciocínio, talvez até
mesmo pela falta de cultura atual de nossa população que não têm
conhecimento suficiente para entender os símbolos da faixa do Bono, que
eu, na minha adolescência, e acredito que todos da minha geração
conseguiriam entender...
Notei que hoje a qualidade da cultura de nossos jovens, esses só permitem entender as letras de músicas básicas, que falem dos instintos, mas nada de mais apurado. Qualquer coisa que exija raciocínio então, nem pensar! É por isso que hoje as músicas que fazem sucesso são o que são em matéria de letra e ritmo. Bono, em seu show, usou uma faixa na testa com o texto "Coexist" (coexista em inglês), escrito de modo bem peculiar para dar o recado a Palestinos e Judeus: o "C" era a meia-lua presente na bandeira da Palestina enquanto o X era simbolizado pela Estrela de Davi, da bandeira de Israel e o T, era a cruz de Jesus. Interessante que, no telão do show, ainda puderam escrever o texto em português, acrescentando o "A" ao final.
Era uma mensagem aos jovens do mundo para coexistirem sem guerras. Bono inclusive andou "às cegas" pela pista que levava ao palco a fim chamar a atenção para a confiança cega que deve haver entre os povos irmãos. Entretanto essa mensagem, pelo menos à maioria dos jovens brasileiros, nem sequer entrou na cabeça, para poder sair por outro orifício qualquer. Foi, infelizmente, um desperdício, assim como várias outras mensagens que ele passou no show e que infelizmente devem ter caído por terra. Acho que nem se ele escrevesse em português claro, alguns ainda não entenderiam, uma vez que a maioria hoje não sabe nem escrever corretamente...
E assim que, após assistirem a um show deste naipe, os jovens ainda continuarão, brigando por nada, se matando por nada, se drogando por nada... É triste ver que a nossa juventude, face ao que demonstra o seu raciocínio, sua forma de escrever, seu gosto musical e sua forma de conversar, tende a levar o Brasil para eras tenebrosas em que a inteligência e a lógica de raciocínio vão ser algo muito, muito raros. Deste jeito o futuro de nosso país vai, cada vez mais, ficando "atoladinho"...
Du2
Texto enviado por:
Eduardo Reis Moura
dumoura@uai.com.br
Belo
Horizonte