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No Line On The Horizon
Na era dos computadores, onde comprar CDs
de músicas está virando uma realidade cada vez mais
distante, poucas são as bandas que conseguem se
sobressair no mercado fonográfico. E uma dessas bandas é
o U2, que com o álbum “No Line On The Horizon”
alcançou o posto de número um nas vendas em vários
países.
E não é só por causa do apelo comercial
da banda, “No Line On The Horizon” com certeza é
mais um grande trabalho do U2! A banda não se
reinventou, como alardeou o Bono, mas com certeza eles
não ficaram no lugar comum. Mais uma vez eles
surpreenderam os fãs com um álbum eclético em sua
sonoridade, onde se percebe que a banda viajou na sua
própria sonoridade dos anos oitenta e noventa, mas
também houve uma evolução do conceito desenvolvido nos
últimos dois álbuns.

O álbum abre com ”No Line On The
Horizon”, faixa que deu título ao álbum. É das
músicas do álbum que parecem saídas das sessões do "Achtung
Baby", mas com uma sonoridade lapidada para estádios,
como nos bons tempos dos anos oitenta. Essa
provavelmente crescerá bastante nos estádios.
”Magnificent” é linda, grandiosa e
inspirada no Evangelho de Lucas, segundo o próprio Bono.
É outra música do álbum que nos remete ao som de
estádios do U2 da década de oitenta. Uma música muito
bem construída onde o Edge mostrou, com um riffs
geniais, porque consta sempre entre os 30 grandes
guitarristas do mundo. Mais um grande hit do U2.
”Moment Of Surrender” é uma balada
a lá U2. É densa, etérea, poética e com a clara
influência do Brian Eno. Uma música que, segundo os
produtores, nasceu num único dia. Destaque para a
interpretação do Bono que está impecável, forte e densa.
Propícia para a letra que, segundo o Bono, é sobre um
drogado.
”Unknown Caller”
intimista e também lapidada para estádios. Uma das
músicas mais belas do álbum. O Edge mais uma vez mostrou
sua genialidade nessa música com riffs inconfundíveis. O
toque genial dessa canção é o coral do refrão que evoca
o sublime, o divino. Talvez uma adequação para a letra,
que foi mais uma inspirada na Bíblia, segundo o Bono, no
versículo Jeremias 33:3.
”I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy
Tonight”, com certeza a composição mais pop do
álbum. Uma música de fácil digestão, cativante, que
agrada na primeira audição e um provável single do
álbum. Essa tem tudo para ter cadeira cativa nos
setlists da nova tour do U2.
”Get On Your boots” está no hall
das inovações da banda. Um rock para dançar e dar uma
agitada no álbum, que em linhas gerais é contemplativo e
sereno. “Get On Your Boots” está para o “No Line On The
Horizon” assim como “Vertigo” está para o “How To
Dismantle”. Um cartão de visita pop e dançante para
chamar a atenção e agradar a gregos e troianos.
”Stand Up Comedy” é um “rock
setentista” de primeira qualidade. Um “funky” com uma
guitarra forte, que foi influência do Jimmy Page,
segundo o próprio Edge. Um ponto alto dessa música é
letra, que mostra um Bono mais maduro nas suas
composições.
”Fez - Being Born” possui forte
influência do Brian Eno, uma introdução lenta, longa,
etérea que começa com o mantra "Let me in the sound". É
daquelas músicas densas do U2, difíceis de digerir, mas
que pode se transformar numa das preferidas depois que
entra na corrente sanguínea. Os teclados atmosféricos do
Brian Eno se fizeram bastante presente nela.
”White As Snow”
é uma linda canção com sonoridade “folk” entronizada por
Bob Dylan e Johnny Cash. E segundo o Brian Eno, a base
desta canção é o hino cristão “Comme Emannuel” Um forte
e lindo poema que parece saído de um filme épico. Nessa
letra o Bono inovou ao contar a história de um soldado
afegão, um personagem que ele criou.
”Breathe” é mais uma agradável surpresa
no álbum. Outra bela inovação da banda e com certeza
mais um grande sucesso do U2, com belíssimos riffs do
Edge, um refrão forte, envolvente e melódico. Ela tem um
pé no estilo “dylanesco” da fase Highway Revisited.
”Cedars Of Lebanon”, a música que fecha
esse belíssimo trabalho. Confesso que me surpreendi ao
ouvir o Bono declarando a letra, ao invés cantar. Algo
que Leonard Cohen ou Lou Reed faria. Mas foi esta forma
intimista que o Bono escolheu para falar dos assuntos
sérios e densos desta canção e encerrar mais essa obra
prima do U2.
"No Line On The Horizon"
solidifica cada vez mais o posto de maior banda de rock
da atualidade alcançada pelo U2. Ousaria até dizer que o
U2 é o Beatles da nossa era, basta ver o frisson que
eles causam no mundo ao lançar um novo álbum e o
esgotamento de ingressos para a nova tour deles. Vida
longa para esses quatro irlandeses que há três décadas
"surfam" com maestria e desenvoltura no topo das paradas
musicais.

Por Suderland Guimarães
P.S:
Suderland Guimarães também é colaborador
do site U2br |