Você já ouviu falar no americano Gary Powers? No dia 6 de maio de 1960, ele e seu avião foram capturados em território soviético no maior incidente da história da Guerra Fria da época. O avião que Gary pilotava era um U-2! O nome desse avião de espionagem batizou umas das maiores banda de rock: U2! E essa é a sua história...

Quatro dias depois do incidente com o U-2 de Gary Powers, no dia 10 de maio, na Irlanda, em Dublin, nascia Paul Hewson. Paul cresceu numa Irlanda dividida pela segregação religiosa, e isso influenciou muito sua personalidade. Alguns anos mais tarde, Paul ganhou um apelido de um amigo, Guggi Rowen. Esse apelido o tornaria conhecido no mundo todo: Bono Vox (boa voz). Era um nome de uma loja para surdez em Dublin. A partir daí, Bono Vox começou a estudar música e ter admiração pelo punk rock de Nova York. È provável que o jovem foi o primeiro punk de Dublin. 

Mais ou menos em 1976, no mural de uma escola sem preferências religiosas a Mount Temple High School, foi afixado um cartaz mais ou menos assim: “Procura-se integrantes para formar uma banda de rock! Interessados procurar Larry Mullen Jr.” Larry, tinha apenas 14 anos. Deste anúncio apareceram 5 interessados: Adam Clayton Dick e Dave Evans (The Edge) nas guitarras, Peter Martin e Ivan MacCormick. Nenhum deles sabia tocar. Bono apareceu logo em seguida e sempre e começou a frequentar os ensaios do grupo, mas sem participar. Em pouco tempo Dick, Peter Martin e Ivan MacCormick desistiram de compor a banda. Bono sugeriu que ele fosse o novo o guitarrista. Mas quando foi tocar o instrumento, descobriram que ele não tocava nada. Não tinha o menor talento. Para não sair da banda, Bono sugeriu: “Posso então cantar??”. A partir daí, ele assumiu os vocais. Nascia assim a banda Feedback, que no início tocava covers dos Beatles e Rolling Stones. No inicio, os pais dos garotos é que bancavam tudo, eram seus “paitrocinadores”. Tanto é, que os primeiros ensaios era na cozinha da casa de Larry. 

A Feedback participou de um concurso de banda da sua escola, mas não ganhou. Pouco tempo depois mudaram o nome para The Hype.  Então a banda tocou com este nome num concerto para a descoberta de novos talentos em Limerick na Irlanda em 17 de Março de 1978, e desta vez ganharam. Um ouvinte da CBS (gravadora da época), um tal de  Jackie Haden, ficou impressionado com a The Hype. Assim, os rapazes da banda tiveram a sua primeira oportunidade gravar uma demo tape. Essa demo tape não ficou muito do agrado dos rapazes, mas deu mais chances de tocar nas regiões de Dublin. 

Um amigo de Adam, Steve Averill (da banda “Radiators from space”) disse que os The Hype não prestavam, principalmente o nome. Steve sugeriu vários nomes até chegar á U2 que é o nome daquele avião de Gary powers, lembra? Além disso, U2 tem um trocadilho – “você também”. O resto da banda adorou, e ficou esse nome mesmo. Acertada escolha. 

Um tempo depois, Adam (que era tipo um empresário da banda) conseguiu que um empresário fosse assistir a um show deles: Paul MacGuiness. O cara ficou tão impressionado com a banda que virou de imediato o empresário deles. E está com eles até hoje. Ele é considerado o 5º. U2. A partir dai, gravaram outra demo, e MacGuiness saiu de porta em porta das gravadoras. Apesar dos contra tempos, conseguiram gravar em setembro de 1979 seu primeiro EP – o raríssimo U2 Three. Esse disco teve uma tiragem limitada de 1000 cópias que se esgotaram rapidamente na Irlanda. 

Com o sucesso do U2  Three, a banda lançou em 1980 seu primeiro LP, “Boy”, junto com o produtor Steve Lillywhite. O álbum teve uma excelente aceitação de crítica e publico, mostrando a todos que o U2 veio para ficar.  No ano seguinte, 1981, a banda lança seu álbum com as maiores conotações religiosas, “October”. Na capa, você pode ver bem a cor natural dos cabelos do Bono: ruivos como de todo bom irlandês. Nessa época, Bono, edge e Larry chegaram a cogitar a acabar com a banda, mas Adam acabou com a frescura e eles continuaram. Nesse período, suas músicas começaram a tocar nos Estados Unidos. 

O primeiro sucesso comercial veio quando o U2 resolveu olhar e criticar o mundo em sua volta em 1983, com o disco “War”.  A tour  que seguiu deste álbum foi tão lucrativa que banda resolveu lançar mais um EP, só desta vez ao vivo – “Under a Blood Red Sky”. Também um outro grande sucesso.  

Paul MacGuiness renovou o contato com a Island Records, mas com algumas condições: uma melhor condição financeira e uma liberdade artística sem retoques. Mudaram também o produtor para Brian Eno. De inicio, Brian não aceitou o convite pois não gostava do som deles. Mas concordou em conhecê-los e depois acabou topando. E trouxe consigo também o engenheiro de som Daniel Lanois. Mudaram para um castelo na Irlanda (Slane Castle) e em 1984, gravaram mais um grande sucesso: "The Unforgettable Fire”. Esse disco fez com que o U2 alcançasse pela primeira vez o Top 40 nos Estados Unidos. Passaram grande parte do tempo em tour pela América. No mesmo ano, a revista Rolling Stones os elegeu com a “Banda do anos 80”. 

A partir de 1983-1984 a banda começou a se engajar em shows beneficentes, sendo o mais importante, o Live Aid. Um gigantesco concerto em defesa das vítimas de fome na Etiópia. O U2 teve uma curta apresentação, mas muito marcante, não só para o mundo, como também para a própria banda. Durante a música “Bad”, Bono desceu do palco e “puxou” uma garota para dançar. Aquele gesto simples, arrebentou com corações do mundo inteiro. Nessa mesma época, tocaram também no Self Aid, em beneficio dos desempregados irlandeses. 

Brian Eno e Daniel Lanois se juntaram a banda novamente para realizar o maior sucesso do grupo até hoje: “The Joshua Tree”. O disco era cheio de canções que glorificavam ou criticavam os Estados Unidos. O sucesso foi enorme!! O U2 estava em todos os lugares! Com tanto sucesso, MacGuiness teve a idéia de filmar a tour e daí nasceu mais um disco: “Rattle and Hum”, ainda com a influência da música americana. Não era só um disco, mas virou também um filme-documentário, que estreou nos cinemas do mundo inteiro. O filme foi dirigido por Phil Joanou. Uma curiosidade: ele também dirigiu um clássico da Sessão da Tarde, “Te pego lá Fora”. Além do disco e do filme, lançaram também um livro. O U2 estava em todos os lugares, livraria, cinema, etc.! Era uma super-exposição. Então a banda resolveu dar um tempo e sumiu a maior parte de1989-1990. Participaram somente do projeto RE HOT + BLUE, com a música cover de Cole Porter, “Night na Day”. Daí, o U2 saiu de cena. 

Chegaram os anos 90, e o U2 resolveu se reinventar. Foram para Berlin e no estúdio Hansa e gravaram “Achtung Baby”. O disco tinha outra batida, quase dark. A tour desse disco foi umas das mais ambiciosas do show business. Foi exatamente a Zoo TV Tour. Um show megalomaníaco aonde a banda ironizava a mídia. Bono disse que teve a idéia quando assistiu pela Tv a Guerra do Golfo através das lentes da CNN.  O palco era gigantesco, com vários monitores e até carros pendurados! Tudo para hipnotizar a platéia. Bono, cansado de ser chamado de rockstar chato e com ego inflado, assumiu essa postura e criou o The Fly. Ele vestia roupas de vinil e usava óculos tipo “mosca”. O resto da banda acompanhou e eles deixaram a imagem de bons moços de lado.   

Durante a Zoo TV, Bono criou outro personagem, o Mirrorball Man. Era uma crítica aos pastores americanos e seitas de fanáticos. Ele vestia uma roupa brilhante, com chapéu de cowboy e segurava um espelho. Ainda jogava dinheiro falso para a platéia, os famosos Zoo Dollars. Além disso, Bono, durante os shows, sempre ligava para alguém. Seu maior alvo era George Bush pai. Bush nunca atendeu, mas chegou a comentar em de seus discursos que Bono já estava enchendo o saco.  Mas ele também chegou a pedir 20 mil pizzas para todos que estavam no estádio, pedir um táxi, e outras. 

Você pensa que acabou? Quando a Zoo TV foi para a Europa, Bono mudou mais uma vez o personagem. Os shows sempre começavam com The Fly, mas quase no final, surgia o Senhor MacPhisto. A banda que tinha como vocalista um católico fervoroso, agora esse mesmo vocalista se vestia de diabinho. Era nessa parte que eles tocavam umas das maiores baladas: “With or Without”. Cinismo maior impossível. Disso tudo, nasceu mais um disco: “Zooropa” com muitas influências tecnológicas. Tendo músicas dance e country.  

O U2 passou pela década de noventa com um som que lembrava pouco sua fase oitentista. E no final da década não foi diferente. Em 1997, a banda lançou “Pop” e mais uma vez se reinventou. O disco entrou bem nas paradas de sucesso, em abril do mesmo ano, em Las Vegas se iniciou a Pop Mart Tour.  Essa tour foi chamada do show do milênio. Também pudera, o palco trazia um telão de 15 por 57 metros (o maior do mundo que entrou para o livro Guiness de recordes), um arco amarelo gigantesco que lembrava o logotipo do MacDonald´s ao lado de um enorme limão de 20 metros de altura e de uma azeitona espetada num palito. A Pop Mart Tour satirizava a sociedade de consumo. Pela primeira vez, estiveram na África e na América do Sul, incluindo o Brasil. Foi exatamente no dia 30 de Janeiro de 1998, que pude ver  o U2 ao vivo. Esqueci toda a parafernália da Pop Mart Tour e me concentrava na banda. É um daqueles momentos na vida que nunca esqueceremos.  

Bono entrou de cabeça de nas causas sociais em prol dos mais necessitados do planeta. Rodou o planeta para defendê-los. Ele chegou a ser indicado ao Prêmio Nobel da Paz.  Muito afirmam que essa atitude e puro markeeting. Pode ser, mas pelo menos alguém esta fazendo algo e inspirando outros. Essas atitudes é que inspiravam ao U2FORTALEZA a arrecadar alimentos para doações em nossa cidade. 

Depois da Pop Mart Tour, o U2 entrou no século 21 prometendo um disco de volta as raízes musicais dos inicio de sua carreira. E em 2000, lançaram “All That You Can´t Leave Behind”. Retornado com Lanois/Eno e com também Steve Lillywhite, a banda mostrou um som mais maduro. Deixaram de lado a tecnologia que imperou nos trabalhos anteriores e resgataram sua musicalidade. A atitude deles mudou tanto que até mesmo a tour deste disco não teve uma megaprodução. A Elevation Tour era bem modesta, com uma iluminação psicodélica, painéis com estrelas piscantes e vídeos em preto e branco dos membros do U2. Coisa simples, deixando a banda mais a mostra e a vontade no palco. Eles tiveram uma passagem breve no Brasil, aonde tocaram para um pequeno publico e gravaram um vídeo de “Walk On”.  

O U2 procurava um som mais simples com seu “All That You Can´t Leave Behind”. Procurou e encontrou e gostou. E deram continuidade com o disco de 2004, “How to Dismantle an Atomic Bomb”. As guitarras de Edge estavam mais possantes, mas a musicalidade da banda sem manteve em alta, mostrando um som mais maduro. A banda entrou em turnê mundial com a sua Vertigo Tour, onde passou pelo Brasil em 2006! Foi com a tour deste disco que os membros do U2FORTALEZA se conheceram. O álbum foi responsável por revelar um U2 novo e e rumo ao futuro.

O futuro chegou em 2009, quando a banda lança seu mais recente trabalho,"No Line on the Horizon". A banda não se reinventou, como alardeou o Bono, mas com certeza eles não ficaram no lugar comum. Mais uma vez eles surpreenderam os fãs com um álbum eclético em sua sonoridade, onde se percebe que a banda viajou na sua própria sonoridade dos anos oitenta e noventa, mas também houve uma evolução do conceito desenvolvido nos últimos dois álbuns. A nova turnê deve entrar para a história, com o sugestivo título de 360o Tour, o palco será inovador, no centro das estádios por onde o U2 vai arrastar seus fãs e, com certeza, levá-los a muita emoção...

E o sonho continua...

by Alexandre Aguiar